sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O juiz dos abraços

Lee Shapiro é um juiz aposentado. É também uma das pessoas mais genuinamente amorosas que conhecemos. A certa altura de sua carreira, Lee percebeu que o amor é o maior poder que existe. Consequentemente, Lee se transformou no homem dos "abraços". Começou a oferecer a todo mundo um abraço. Seus colegas o apelidaram de "o juiz dos abraços" (em oposição a "juiz dos enforcamentos", supomos). O adesivo do seu carro diz: "Não me bata! Abrace-me!"

Há cerce de seis anos, Lee criou o que ele chama de "kit-abraço". Do lado de fora lê-se: "Um coração por um abraço". Dentro, há trinta coraçõezinhos vermelhos bordados com alfinetes atrás. Lee sai com seu kit-abraço, encontra as pessoas e oferece-lhes um coraçãozinho em troca de um abraço.

Lee tornou-se tão conhecido por isso que freqüentemente é convidado para apresentar conferências e convenções, onde compartilha sua mensagem de amor incondicional. Numa conferência em São Francisco, a imprensa local o desafiou dizendo: "É fácil sair distribuindo abraços, aqui na conferência, a pessoas que resolveram vir por vontade própria. Isso nunca funcionaria no mundo real".

Eles desafiaram Lee a distribuir alguns abraços pelas ruas de São Francisco. Seguido por uma equipe de televisão do noticiário local, Lee saiu às ruas. Primeiro, se aproximou de uma mulher que passava.

- Oi, sou Lee Shapiro, o juiz dos abraços. Estou doando estes corações em troca de um abraço.

- Claro – respondeu ela.

- Fácil demais – provocou o comentarista local.

Lee olhou à sua volta. Viu uma guarda de trânsito que estava enfrentando problemas com o dono de uma BMW a quem estava entregando uma multa. Aproximou-se dela, a equipe de televisão junto com ele, e disse:

- Parece-me que um abraço poderia lhe ser útil. Sou o juiz dos abraços e estou lhe oferecendo um.

Ela aceitou.

O comentarista de televisão lançou um último desafio.

- Veja, aí vem um ônibus. Os motoristas de ônibus de São Francisco são as pessoas mais rudes, rabugentas e intratáveis de toda a cidade. Vamos ver se você consegue um abraço dele.

Lee aceitou o desafio.

Quando o ônibus parou, Lee disse:

- Oi, sou Lee Shapiro, o juiz dos abraços. Seu trabalho deve ser um dos mais estressantes do mundo. Hoje, estou oferecendo abraços às pessoas para aliviar um pouco sua carga. Gostaria de um?

O homenzarrão de dois metros e mais de cem quilos levantou do banco, desceu do ônibus e disse:

- Por que não?

Lee o abraçou, deu-lhe um coração e acenou quando o ônibus partiu. A equipe de TV estava sem fala. Finalmente, o comentarista disse:

- Tenho que admitir, estou muito impressionado.

Um dia, Nancy Johnston, amiga de Lee, bateu em sua porta. Nancy é palhaço profissional e estava usando sua fantasia, maquiagem e tudo o mais.

- Lee, pegue um punhado de seus kit-abraço e vamos a um lar de deficientes.

Quando chegaram ao lar, começaram a distribuir chapéus com balões, corações e abraços aos pacientes. Lee sentia-se desconfortável. Nunca havia abraçado pacientes terminais, pessoas gravemente retardadas ou quadraplégicas. Foi definitivamente um esforço. Mas, depois de um certo tempo, ficou mais fácil, e Nancy e Lee conquistaram uma comitiva de médicos, enfermeiros e serventes que os seguiram de ala em ala.

Depois de algumas horas, eles entraram na última ala. Eram os 34 piores casos que Lee jamais vira em sua vida. O sentimento era tão cruel que partiu seu coração. Mas, cumprindo seu compromisso de compartilhar seu amor com os outros, Nancy e Lee começaram a passear pela sala, seguidos pela comitiva de médicos que, a essa altura, já traziam corações nos colarinhos e chapéus feitos de balões na cabeça.

Finalmente, Lee chegou à ultima pessoa, Leonard. Leonard usava um enorme babador branco sobre o qual babava. Lee olhou para Leonard, que babava, e disse:

- Vamos embora, Nancy, não há como encarar esse aqui.

Nancy replicou:

- Vamos lá, Lee. Ele também é um ser humano, não é?

Então, ela colocou-lhe um engraçado chapéu de balões na cabeça. Lee pegou um de seus coraçõezinhos vermelhos e prendeu-o no babador de Leonard. Respirou fundo, inclinou-se e o abraçou.

De repente, Leonard começou a gritar:

- Eeeeeh! Eeeeeh!

Alguns dos outros pacientes na sala começaram a bater coisas. Lee voltou-se para a equipe esperando alguma explicação e apenas viu que todos os médicos, enfermeiros e serventes estavam chorando. Lee perguntou à enfermeira chefe:

- O que é que há?

Ele nunca poderá esquecer o que ela disse:

- Esta é a primeira vez em 23 anos que vemos Leonard sorrir.

Como é simples ser importante na vida dos outros.

Jack Canfield e Mark V. Hansen
Canja de Galinha para a Alma - Ediouro

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O Verdadeiro Amor

Moses Mendelssohn, avô do famoso compositor alemão, estava longe de ser um homem bonito. Além da pequena estatura, possuía uma grotesca corcunda.

Certo dia, visitou um comerciante em Hamburgo, que tinha uma adorável filha chamada Frumtje. Moses se apaixonou perdidamente por ela. Mas Frumtje sentiu repulsa por sua aparência disforme.

Quando chegou a hora de sua partida, Moses reuniu coragem e subiu os degraus até o quarto dela, a fim de ter uma última oportunidade de lhe falar. Ela era de uma beleza celestial, mas sua recusa em olhar para ele lhe causou profunda tristeza. Depois de tentar várias vezes conversar com ela, Moses perguntou timidamente:

Você acredita que os casamentos são feitos no céu?

Sim - respondeu ela, ainda olhando para o chão. - E você?

Sim, acredito - replicou ele. - Sabe, no céu, quando nasce um menino, Deus anuncia a menina que ele irá desposar. Quando nasci, minha futura noiva me foi apontada. Então, Deus acrescentou: "Mas sua esposa será corcunda". Aí, eu gritei: "Oh, Deus; uma mulher corcunda seria uma tragédia! Por favor, Senhor, dê-me a corcunda e deixe-a ser bela."

Então, Frumtje olhou bem dentro dos seus olhos e se comoveu com alguma profunda lembrança. Ela estendeu sua mão a Mendelssohn e, mais tarde, se tornou sua devotada esposa.

Barry e Joyce Vissel
Do livro: Canja de Galinha para a Alma - Jack Canfield e Mark Hansen
Editora Ediouro

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

História da rã que não sabia que estava sendo cozida.

Da alegoria da Caverna  de Platão a Matrix, passando pelas fábulas  de La Fontaine, a linguagem simbólica  é um meio privilegiado para induzir à  reflexão e transmitir algumas idéias.
Olivier Clerc, nesta sua  breve história, através da  metáfora,  põe em evidência as funestas conseqüências da não  consciência da mudança que infeta nossa  saúde, nossas relações, a evolução social  e o ambiente.
Um resumo de vida  e sabedoria que cada um poderá plantar  no próprio jardim, para desfrutar de  seus frutos.
Olivier  Clerc, nascido em 1961  na cidade de Genebra,  na Suíça, é escritor,  editor, tradutor e conselheiro  editorial especializado nas  áreas de saúde, desenvolvimento  pessoal, espiritualidade  e relações humanas.  É também autor de  Médecine, religion et  peur (1999) e Tigre  et l’Araignée: les  deux visages de la  violence (2004).
Imagine uma  panela cheia de água fria, na qual  nada, tranquilamente, uma pequena  rã.
Um pequeno fogo  é aceso embaixo da panela, e a água  se esquenta muito lentamente.
(Fiquem  vendo: se a água  se esquenta muito lentamente,  a râ não se apercebe  de nada!)
Pouco a pouco,  a água fica morna e a rã,  achando isso bastante agradável, continua  a nadar,
A temperatura  da água continua subindo...
Agora, a água  está quente mais do que a rã pode  apreciar; ela se sente  um pouco cansada, mas, não obstante isso, não se amedronta.
Agora, a água  está realmente quente, e a rã  começa a achar desagradável, mas está muito  debilitada; então, suporta  e não faz nada.
A temperatura  continua a subir, até quando  a rã acaba simplesmente cozida e morta.
Se a mesma  rã tivesse sido lançada diretamente na  água a 50 graus, com um golpe  de pernas ela teria pulado imediatamente  para fora da panela.
Isto mostra  que, quando uma mudança  acontece de um modo suficientemente lento,
escapa à consciência  e não desperta, na maior parte  dos casos,reação alguma oposição alguma,  ou, alguma revolta.
Se nós olharmos  para o que tem acontecido em nossa  sociedade desde há algumas décadas, podemos  ver que nós estamos sofrendo uma lenta  mudança no modo de viver, para a qual nós estamos nos acostumando.
Uma quantidade  de coisas que nos teriam feito horrorizar  20, 30 ou 40 anos atrás,
foram pouco  a pouco banalizadas e, hoje, apenas incomodam  ou deixam completamente indiferente a maior  parte das pessoas.
Em nome do  progresso, da ciência e do lucro,  são efetuados  ataques contínuos às liberdades individuais,
à dignidade, à integridade da natureza, à beleza e à alegria de viver; efetuados lentamente,  mas inexoravelmente, com a constante  cumplicidade das vítimas, desavisadas e,  agora, incapazes de se defenderem.
As previsões  para nosso futuro, em vez de  despertar reações e medidas preventivas,  não fazem outra coisa a não ser  a de preparar psicologicamente as pessoas  a aceitarem algumas condições de vida  decadentes, aliás, dramáticas.
O martelar contínuo  de informações, pela mídia,  satura os cérebros, que não podem  mais distinguir as coisas...
Quando eu falei  pela primeira vez, destas coisas, era para um amanhã.
Agora, é para  hoje!!!
Consciência, ou  cozido, precisa escolher!
Então, se você não está, como a rã, já meio cozido, dê um saudável golpe de pernas, antes que seja tarde demais.

NÓS JÁ ESTAMOS MEIO COZIDOS?
OU NÃO?

Olivier Clerc

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Jogue fora suas batatas

O professor pediu para que os alunos levassem batatas e uma bolsa de plástico para a aula. Ele pediu para que separassem uma batata para cada pessoa de quem sentiam mágoas, escrevessem os seus nomes nas batatas e as colocassem dentro da bolsa. Algumas das bolsas ficaram muito pesadas. A tarefa consistia em, durante uma semana, levar a todos os lados a bolsa com batatas. Naturalmente a condição das batatas foi se deteriorando com o tempo. O incômodo de carregar a bolsa, a cada momento, mostrava-lhes o tamanho do peso espiritual diário que a mágoa ocasiona, bem como o fato de que, ao colocar a atenção na bolsa, para não esquecê-la em nenhum lugar, os alunos deixavam de prestar atenção em outras coisas que eram importantes para eles.

Esta é uma grande metáfora do preço que se paga, todos os dias, para manter a dor, a bronca e a negatividade. Quando damos importância aos problemas não resolvidos ou às promessas não cumpridas, nossos pensamentos enchem-se de mágoa, aumentando o stress e roubando nossa alegria. Perdoar e deixar estes sentimentos irem embora é a única forma de trazer de volta a paz e a calma.

"Jogue fora suas "batatas".

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Diamante


O Hindu chegou aos arredores de certa aldeia e aí sentou-se para dormir debaixo de uma árvore. Chega correndo, então, um habitante daquela aldeia e diz, quase sem fôlego:

- Aquela pedra! Eu quero aquela pedra.

- Mas que pedra? Pergunta-lhe o Hindu.

- Ontem à noite, eu vi meu Senhor Shiva e, num sonho, ele disse que eu viesse aos arredores da cidade, ao pôr-do-sol; aí devia estar o Hindu que me daria uma pedra muito grande e preciosa que me faria rico para sempre.

Então, o Hindu mexeu na sua trouxa e tirou a pedra e foi dizendo:

- Provavelmente é desta que ele lhe falou; encontrei-a num trilho da floresta, alguns dias atrás; podes levá-la! E assim falando, ofereceu-lhe a pedra.

O homem olhou maravilhado para a pedra. Era um diamante e, talvez, o maior jamais visto no mundo.

Pegou, pois, o diamante e foi-se embora. Mas, quando veio a noite, ele virava de um lado para o outro em sua cama sem conseguir dormir. Então, rompendo o dia, foi ver novamente o Hindu e o despertou dizendo:

- Eu quero que me dê essa riqueza que lhe tornou possível desfazer-se de um diamante tão grande assim tão facilmente!

domingo, 26 de agosto de 2012

O Tolo que era Sábio

Todos os dias o José ia pedir esmola na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque:

Mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. José sempre escolhia a menor. A história correu pela região.

Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e José sempre ficava com a menor. Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver José sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um canto da praça, disse:

- Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.

José lhe respondeu:

- O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas. O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque.

E cheio de sabedoria acrescentou:

- Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente. Às vezes, é de muita sabedoria se passar por tolo e é muito melhor passar por tolo e ser inteligente do que ter inteligência e usar fazendo tolices.

"Os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem!"

Desconheço o autor

sábado, 25 de agosto de 2012

Para Meu Neto

Ouvi num domingo, na igreja, a história de uma família de refugiados do Leste europeu, forçada a sair de casa por tropas invasoras. Perceberam que a única chance de escapar dos horrores da guerra era atravessar as montanhas que circundavam a cidade. Tinham certeza de que estariam a salvo num país vizinho e neutro, caso conseguissem fazer a travessia. mas o avô não estava bem e a viagem seria dura./- Me deixem para trás – pediu ele.

- Os soldados não vão se importar com um homem velho como eu.

- Vão sim – disse o filho. – Para o senhor será a morte.

- Não podemos deixar o senhor aqui, papai – reforçou a filha. – Se o senhor não for, então nós também não vamos.

O idoso finalmente cedeu e a família, composta de umas dez pessoas de diversas idades, inclusive uma netinha de um ano, partiu em direção à cadeia de montanhas que se via à distancia. Caminharam em silêncio, revezando-se para carregar o bebê, o que tornou mais difícil a subida do desfiladeiro.

Depois de várias horas, o avô se sentou numa rocha e deixou pender a cabeça.

- Continuem sozinhos. Não vou conseguir – disse.

- Vai, sim – encorajou o filho. – Tem de conseguir.

- Não – disse o avô. – Me deixem aqui.

- Vamos – disse o filho. – Precisamos do senhor, é sua vez de carregar o bebê.

O homem levantou o rosto e viu as fisionomias cansadas dos demais. Olhou para o bebê envolto num cobertor, agora no colo de seu neto de treze anos, um menino magrinho.

- Claro – disse o avô. – É a minha vez. Vamos passem o bebê para mim. – Ele se levantou e ajeitou o bebê no colo, olhando seu rostinho inocente. De repente, sentiu uma força renovada e um enorme desejo de ver sua família a salvo numa terra em que a guerra seria uma memória distante.

- Vamos – disse ele, com determinação. – Já estou bem. Só precisava descansar um pouco. Vamos andando.

O grupo prosseguiu, com o avô carregando o bebê. E, naquela noite, a família conseguiu cruzar a fronteira a salvo. Todos os que iniciaram o longo percurso pelas montanhas conseguiram terminá-lo, inclusive o avô.

Floyd Wickman e Terri Sjodin

Histórias para Aquecer o Coração dos Pais
Jack Canfield & Mark V. Hansen & Jeff Aubery & Mark & Chrissy Donnelly - Editora Sextante

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

As rãs

Um fazendeiro veio até a cidade e perguntou ao proprietário de um restaurante se ele queria ganhar um milhão de rãs.

O proprietário do restaurante ficou assustado e perguntou ao homem onde ele poderia conseguir tantas rãs!

O fazendeiro respondeu,

- Há uma lagoa perto de minha casa que está cheia de rãs - milhões delas. Todas coaxando por toda a noite e estão a ponto de me deixar louco!

Então o proprietário do restaurante e o fazendeiro fizeram um acordo: o fazendeiro entregaria as rãs no restaurante, quinhentas de cada vez pelas semanas seguintes.

Na primeira semana, o fazendeiro retornou ao restaurante parecendo particularmente encabulado, com duas pequenas e mirradas rãs. O proprietário do restaurante perguntou,

- Onde estão todas as rãs?

O fazendeiro respondeu,

- Eu me enganei. Haviam somente estas duas rãs na lagoa. Mas certamente elas faziam muito barulho!

Da próxima vez que você ouvir alguém criticando ou gozando alguém,
lembre-se que provavelmente é apenas um par de ruidosas rãs.

Lembre-se também que os problemas parecem sempre muito maiores no escuro.