quinta-feira, 3 de abril de 2014

A sabedoria é o equilíbrio

Um paciente de 32 anos procurou um terapeuta para que ele pudesse ajudá-lo com o seu problema.

No dia marcado o paciente falou:
- Preciso de ajuda, não consigo parar de chupar o dedo.

O Terapeuta, com a tranqüilidade de quem sabe respondeu:
- Não ligue para isto, mas chupe um dedo diferente a cada dia da semana.

A partir deste momento, o paciente, toda vez que levava a mão a boca , era instintivamente obrigado a escolher o dedo que devia ser objeto de sua atenção naquele dia.

Antes que a semana terminasse ele já estava curado.

Com esta estorinha aprendemos que quando temos um hábito, torna-se difícil lidar com ele porque é uma rotina, um automatismo, mas, quando ele passa a nos exigir atitudes novas, decisões, escolhas, então temos consciência de que não vale tanto esforço para mantê-lo.

"A sabedoria é o equilíbrio do discernimento com o amor na manifestação da consciência"

Desconheço o autor

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Todo mundo tem um sonho

Alguns anos atrás eu assumi um serviço na assistência social da cidade. E o que eu queria fazer era mostrar que todos, se unidos e compartilhando obstáculos, têm a capacidade para se realizar. Selecionei um grupo de pessoas assistidas pelo serviço e as reunia em grupo, por três horas, todas as sextas-feiras.

A primeira coisa que eu disse ao grupo, depois de um aperto de mão com todos, foi:
- Eu gostaria de saber quais são os seus sonhos.

Todos me olharam como um grande excêntrico.

- Sonho? Nós não temos sonhos.

Uma mulher disse
- Como posso pensar em sonhos? Os ratos estão comendo as minhas crianças.

- Oh, eu disse. Isso é terrível. Não, claro que não, você está mesmo muito envolvida com os ratos e suas crianças. Como posso lhe ajudar?

- Bem, eu preciso de uma porta de tela porque há muitos buracos em minha porta.

Eu perguntei,
- Tem alguma pessoa aqui que sabe instalar uma porta de tela?

Havia um homem no grupo, e ele disse,
- A muito tempo atrás eu fiz alguns serviços desse tipo mas agora estou sem prática, mas eu poderia tentar.

- Vou lhe dar um pouco de dinheiro para que você compre o material necessário e conserte a porta desta senhora. Você acha que dá para fazer?

- Sim, eu vou tentar.

Na sexta-feira seguinte, quando o grupo estava reunido, eu perguntei à mulher,
- Bem sua porta foi consertada?

- Oh, sim. Ela disse.

- Então nós podemos começar a sonhar, não podemos?

Ela me lançou um sorriso.

E eu perguntei ao homem que fez o serviço,
- E você? Como se sente?

Ele disse,
- Bem, muito bem! Você sabe, é uma coisa muito engraçada. Foi terminar o serviço e eu comecei a me sentir muito melhor.

Isso ajudou o grupo a começar a sonhar. Este aparentemente pequeno sucesso permitiu ao grupo ver que os sonhos não eram insanos. Estes pequenos passos começaram a mostrar as pessoas que elas poderiam fazer acontecer.

Perguntei sobre os sonhos das outras pessoas. Uma mulher disse que gostaria de ter uma babá.
- Eu tenho seis crianças, e eu não tenho ninguém com quem deixa-las enquanto estou fora.

- Vamos ver! Eu disse. - Tem alguma pessoa neste grupo que pode tomar conta de seis crianças por um ou dois dias por semana enquanto esta mulher faz um treinamento aqui na faculdade da comunidade?

Uma outra mulher respondeu
- Eu tenho crianças também, mas eu posso fazer isso.

- Façamos isto, eu disse. Assim um plano foi criado e a mulher pode ir à escola.

Todo o mundo sabe alguma coisa. O homem que consertou a porta de tela se tornou um biscateiro. A mulher que alojou as crianças iniciou um trabalho de babá para todos que precisassem. Em 12 semanas eu pude ver todas estas pessoas fora do serviço de assistência social. E só com o fato de entenderem ser possível realizar. Basta crer e tentar.

Tradução de Sergio Barros
do texto de Virgínia Satir

terça-feira, 1 de abril de 2014

Lição oportuna

O Dr. Albertino Silvério era conhecido advogado. Homem de invejável cultura. Conhecimento profundo e variado. Em particular, achava-se autoridade em assuntos sócio-econômicos

Era contudo, refratário a qualquer tipo de assistência social. Não aceitava. Achava inútil.
- Não acredito em beneficência diminuta. Caridade gota a gota não resolve. Prefiro soluções radicais.
- Não é o que penso, Silvério. A caridade, mesmo pequenina, é sempre ajuda a alguém.

Quem respondia era o Doutor Fontes, abnegado amigo dos sofredores.

Silvério, no entanto, continuava:
- Um copo de leite, por acaso, banirá do mundo a fome? Um cobertor ou uma veste resolverá, por ventura, a angústia da nudez? Isso é assunto de governos e não serão alguns poucos bem intencionados que irão solucioná-lo.

A conversa prosseguia, quando passa um jovem anunciando o jornal da tarde.

Silvério chama-o. Deseja o jornal. Rebusca o bolso e só encontra dinheiro alto. Não há troco.

Nesse instante, porém, o doutor Fontes, tomando a quantia necessária e pagando o jornal, aproveitou a lição:
- Veja, Silvério, o que a própria vida nos mostra. Ninguém nega o bem inestimável, que os grandes recursos, governamentais ou não, carreiam. Obras imensas. Doações fartas. Entretanto, é preciso convir que há passagens estreitas, que apenas a ajuda humilde e pequena transpõe.

- Para a compra do jornal agora o dinheiro de alto valor de que você dispõe só seria útil, se fracionado em valores menores e múltiplos. Assim ocorre também na assistência social. O muito realiza muito de uma só vez, mas o pouco feito com persistência e amor pode ser, em ocasiões, a única solução disponível para grandes problemas.

Silvério compreendeu o ensinamento e mudo de espanto frente à lógica do amigo, iniciou, silenciosamente, a leitura das notícias.

Antônio Baduy Filho em "Histórias da Vida"

segunda-feira, 31 de março de 2014

Perdoa-te

Conta-se que um jovem caminhava pelas montanhas nevadas da velha Índia, absorvido em profundos questionamentos sobre o amor, sem poder solucionar suas ansiedades.

Ao longo do caminho, à sua frente, percebeu que vinha em sua direção um velho sábio.

E porque se demorasse em seus pensamentos sem encontrar uma resposta que lhe aquietasse a alma, resolveu pedir ao sábio que o ajudasse. Aproximou-se e falou com verdadeiro interesse:
- Senhor, desejo encontrar minha amada e construir com ela uma família com bases no verdadeiro amor. Todavia, sempre que me vem à mente uma jovem bela e graciosa e eu a olho com atenção, em meus pensamentos ela vai se transformando rapidamente. Seus cabelos tornam-se alvos como a neve, sua pele rósea e firme fica pálida e se enche de profundos vincos. Seu olhar vivaz perde o brilho e parece perder-se no infinito. Sua forma física se modifica acentuadamente e eu me apavoro. Desejo saber, meu sábio, como é que o amor poderá ser eterno, como falam os poetas?

Nesse mesmo instante aproxima-se de ambos uma jovem envolta em luto, trazendo no rosto expressões de profunda dor. Dirige-se ao sábio e lhe fala com voz embargada:
- Acabo de enterrar o corpo de meu pai que morreu antes de completar 50 anos. Sofro porque nunca poderei ver sua cabeça branca aureolada de conhecimentos. Seu rosto marcado pelas rugas da experiência, nem seu olhar amadurecido pelas lições da vida. Sofro porque não poderei mais ouvir suas histórias sábias nem contemplar seu sorriso de ternura. Não verei suas mãos enrugadas tomando as minhas com profundo afeto.

Nesse momento o sábio dirigiu-se ao jovem e lhe falou com serenidade:
- Você percebe agora as nuanças do amor sem ilusões, meu jovem? O amor verdadeiro é eterno porque não se apega ao corpo físico, mas se afeiçoa ao ser imortal que o habita temporariamente. É nesses sentimentos sem ilusões nem fantasias que reside o verdadeiro e eterno amor.

A lição do velho sábio é de grande valia para todos nós que buscamos as belezas da forma física sem observar as grandezas da alma imortal.
O sentimento que valoriza somente as aparências exteriores não é amor, é paixão ilusória.
O amor verdadeiro observa, além da roupagem física que se desgasta e morre, a alma que se aperfeiçoa e a deixa quando chega a hora, para prosseguir vivendo e amando, tanto quanto o permita o seu coração imortal.

Desconheço a autoria

domingo, 30 de março de 2014

O quarto dedo

Dois pastores ingleses estavam passando as férias de verão nas belíssimas montanhas do País de Gales. Caminhando pelos campos, encontraram um menino, pastor de ovelhas, que estava apascentando o seu rebanho. Pensando na metáfora da obra do pastor de ovelhas, provocaram uma conversa com o pastorzinho. Descobriram que ele nada sabia de Deus, de Bíblia, de Cristo, o bom pastor, nem de igreja. Esforçaram-se por ensinar o Salmo 23. Para facilitar a memorização, sugeriram associar cada um dos versículos com um dos dedos da mão direita.

Assim, ao dizer cada versículo, o menino seguraria, com os dedos da mão esquerda, os dedos correspondentes aos versículos.

Fim das férias, os pastores foram embora e rapidamente se esqueceram do episódio.

No verão seguinte, voltaram. Caminhando pela redondeza, um dia pararam na sede de uma fazenda para solicitarem um copo de água. Enquanto a atendente estava buscando a água, ficaram observando um retrato colocado sobre a lareira. Quando a senhora chegou com a água, um deles comentou que aquele jovem da foto se parecia com alguém que eles conheceram. A senhora disse ser isso impossível pois que aquele era seu filho, morto no último inverno em meio a uma tempestade de neve. Morrera procurando uma ovelha extraviada.

Um dos pastores se lembrou do encontro do verão anterior e o comentou com a mãe. Esta, manifestando interesse, comentou:
- Há uma coisa que talvez vocês possam me explicar então. Ao ser encontrado, vimos que o corpo dele havia caída num precipício e estava congelado. Mas os dedos de sua mão direita seguravam firmemente o quarto dedo de sua mão esquerda.

E vocês sabem qual é o versículo correspondente ao quarto dedo?

"Ainda que eu ande pelo vale da sombra e da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo, e a tua vara e o teu cajado me consolam." Salmo 23.4

Deus nunca nos deixa, mesmo que as situações de nossa vida sejam desfavoráveis.
- Eu estou contigo, te tomo pela tua mão direita e te digo: Eu te ajudo.

Desconheço a autoria

sábado, 29 de março de 2014

Distribuir o troco

Minha rotina pela manhã inclui uma parada em uma loja de conveniências para comprar o jornal. Certa manhã, há pouco tempo, a conveniência da loja mostrou-se inconveniente para as pessoas presas na fila atrás de dois pequenos meninos. Quando cheguei ao caixa para pagar pelo jornal, notei os dois garotos em pé na frente da fila - uma fila que crescia à cada minuto. O jovem atrás do caixa estava claramente irritado com os meninos e disse para eles,
- Olhem, vocês precisam de mais dezenove centavos para pagar por este doce. Se vocês não têm, vocês não levam. E agora, o que vocês irão fazer?

Eu assisti, como os pequenos meninos pareciam embaralhar os pés sem articular uma palavra, apenas olhando fixamente para o caixa com olhos entristecidos. As pessoas esperando impacientemente na fila começaram a reclamar ruidosamente,
- Como é que é! A fila anda ou não anda?

De repente, me senti na obrigação de intervir.
- Eu tenho os dezenove centavos, - gritei de minha posição na fila - tome este dólar pelo meu jornal e use o troco para pagar pelo doce.

O jovem do caixa pareceu aliviado por ter o assunto resolvido. Entreguei o dólar, sorrindo ao jovem do caixa e parti. Enquanto fazia meu caminho até meu carro, uma pequena voz gritou para mim,
- Ei, Senhora! Aquilo foi legal!

Ele se foi. Eu suponho que tinha sido um "obrigado" e gostei de pensar que eu seria o assunto de suas conversas naquela manhã. Eu era a "senhora legal" que salvou o dia pagando pelo doce em um apressado e negligente mundo. Me fez sorrir imaginar que meu gesto clareou seu pequeno mundo, mesmo que só por um momento.

Quando cheguei a minha própria loja, eu me deleitava com minha boa ação e procurava compartilhar minha história com minhas clientes. Quando terminei de contar a história para um grupo de jovens, uma delas virou-se para mim e disse,
- Eu gosto de fazer pequenas coisas como esta, também. Quando eu paro para tomar meu café diário, eu deixo alguns centavos no chão do estacionamento ou na calçada. Algumas vezes eu fico em meu carro e observo para ver se alguém encontra minhas moedas. Sempre faz as pessoas sorrirem e faz meu dia mais alegre, também. Eu tenho feito isto há anos.

Eu não podia falar. Fazer alguém sorrir ao achar uns centavos no estacionamento. Talvez eu tenha sido uma das que receberam seu presente.

Ela admitiu timidamente que nunca tinha contado isto à ninguém.
- E eu aqui, alardeando minha "generosidade". Pensei comigo mesma.

Eu aprendi que devemos fazer nossas boas ações sem fanfarra e sem esperar reconhecimento. Humilhada, decidi não contar meu episódio matutino para mais ninguém. Ficaria apenas entre Deus e eu.

Naquela tarde, a caminho de casa, eu parei em um café para comprar donuts. Quando deixei a loja, notei uns brilhantes centavos na calçada. Em vez de curvar-me e apanhá-los, eu ajoelhei e coloquei mais uma moeda. Afinal, centavos são presentes de anjos e os anjos sempre sorriem quando nós dividimos nosso troco.


Michele Starkey

sexta-feira, 28 de março de 2014

O poder das pequenas coisas

O construtor de pontes, Charles Eliet, foi contratado para construir uma ponte suspensa sobre o rio Niagara.

O primeiro problema que ele enfrentou era descobrir uma forma para esticar o seu primeiro cabo através da larga extensão de águas. Se um barco tentasse cruzar o rio seria varrido sobre as quedas.

Eliet pensou em uma idéia muito simples. Se uma pipa pudesse voar até a margem oposta usando um leve cordão, um cordão mais forte poderia ser amarrado à este e poderia ser puxado para o outro lado, então um cordão mais forte seria puxado através deste e assim por diante até que o cabo de aço desejado pudesse ser unido e arrastado até o outro lado.

Eliet indicou uma competição de pipas e um jovem chamado Homan Walsh prosperou na sua segunda tentativa. O plano simples de Charles Eliet funcionou e a ponte foi construída.

Na nossa vida, muitas vezes nos sentimos como não tendo um papel muito importante à desempenhar. O que fazemos parece tão insignificante. Mas não é bem assim. Cada cristão tem uma parte importante no jogo da vida. O todo é uma soma das numerosas "pequenas coisas" que somos chamados a fazer todos os dias.

Jesus começou a espalhar o evangelho pelo mundo inteiro por simplesmente enviar seus discípulos de dois em dois! Então, nunca subestime a importância do que Deus lhe chamou a fazer. O importante é persistir - dia após dia!

E ao deitar-se à noite, agradeça:
"Querido Deus, agradeço-Lhe por usar pessoas comuns como eu para fazer o Seu trabalho nesta terra. Ajude-me a compreender que minha parte - não importa quão pequena - é uma parte vital do quadro inteiro. Ajude-me a ser responsável e nunca decepcionar ao fazer minha parte. Obrigado por me ouvir e responder minha oração. Que assim seja".

 Dick Innes